A cidade que não cai — e a ordem dada a quem a cerca
Por que se diz que a cidade não será abalada
Por causa de quem se mudou para lá. A razão de Henry é tanto de reputação quanto
militar: a honra dele está embarcada nela, ele armou nela o seu tabernáculo e
assumiu a proteção dele
. A estabilidade prometida não é imunidade ao ataque, e sim
ao pânico — não perturbada, nem muito abalada, por temores quanto ao desfecho
. E
o resultado corre ao contrário para quem ataca: Ele a socorrerá em meio às suas
aflições, de modo que ela não afunde; antes, quanto mais for afligida, mais se
multiplicará
.
E quando o socorro parece chegar tarde?
Henry diz que a própria palavra de tempo do salmo significa o contrário de tarde. O
socorro chega quando a manhã aparece; isto é, muito depressa
— e ele acrescenta
a segunda metade, de que a maioria precisa mais: muito oportunamente, quando as
coisas chegaram ao último extremo e quando o alívio será mais bem-vindo
. Rapidez e
demora estão sendo medidas em relógios diferentes. O que parece o último minuto é, na
conta do salmo, o minuto marcado.
A quem o versículo 10 fala primeiro
O cenário imediato do versículo 10 não é um quarto silencioso: são nações em
tumulto, arcos quebrados, carros queimados no fogo. Lida nesse cenário, a ordem de
aquietar-se é dirigida primeiro aos povos que fazem a guerra — um chamado a largar as
armas diante de quem acabou de desarmá-los — e só depois ecoa para o leitor ansioso
que a recebe hoje como convite à quietude. As duas leituras cabem; a primeira é a que
o campo de batalha do salmo exige.
O mesmo versículo em três traduções
É no versículo 10 que as versões em português mais divergem entre si, e a
divergência é conteúdo: cada uma escolhe um tom diferente para a mesma ordem.
Como usar este salmo na sua própria aflição
Tome o refrão como algo pessoal, que é como Henry o toma. Deus está do nosso
lado, toma o nosso partido, está presente conosco e preside sobre nós
, escreve ele,
e cobre as duas frentes de uma vez: Deus pela sua providência assegura o nosso
bem-estar quando por fora há lutas, e pela sua graça aquieta as nossas mentes e as
firma quando por dentro há temores
. E então vem a aplicação do próprio Henry, o
mais perto de uma receita que ele chega: confiemos, pois, e não temamos; tudo vai
bem e terminará bem
.
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