A única água mansa do salmo
Até aqui, toda a água do Salmo 46 era ameaça: mares bramindo, montes tremendo dentro
deles. Nos versículos 4 e 5 o elemento retorna domesticado — um rio, correntes, uma
cidade alegrada. Dentro desse barulho o salmo deixa cair um rio, e as correntes dele
são silenciosas de propósito: Os consolos espirituais que são levados aos santos por
sussurros suaves e silenciosos, e que não vêm com aparato, bastam para contrabalançar
as mais altas e ruidosas ameaças de um mundo irado e maldoso
.
Que rio é esse, se Jerusalém não tinha nenhum?
Não é um rio literal — Jerusalém não tinha grande rio, e é daí que Henry parte.
Alude às águas de Siloé, que corriam mansamente junto a Jerusalém
, escreve ele,
e então faz uma leitura dupla: o concerto da graça é o rio, cujas promessas são as
correntes; ou o Espírito da graça é o rio
. E a forma cotidiana que isso toma nada
tem de espetacular: A palavra e as ordenanças de Deus são rios e correntes com que
Deus alegra os seus santos em dias nublados e escuros
.
Repare na aritmética da imagem: o mundo faz barulho em escala de oceano, e o consolo responde em escala de correnteza. O salmo não promete que o volume será igualado — promete que a água mansa basta.
A cidade que esse rio alimenta, e a ordem de aquietar-se dos versículos finais →